Hugo Lopes tem 23 anos, fez a sua formação no Casa Pia e veio para Ponte de Sôr para jogar na 3 divisão nacional, clube que abandonou na época passada, A época não começou da melhor maneira, tendo sido dispensado do Crato no inicio da época mas terminou da melhor forma com a subida a segunda divisão B pelo Sertanense, pelo meio teve uma lesão que lhe poderia ter causada o fim da carreira, ele que já conta com os títulos de campeão distrital de Iniciados, juvenis, júnior ao serviço do Casa Pia, em seniores foi campeão da serie E, terceira divisão nacional, ainda com idade de júnior e em 05/06 ao serviço do Eléctrico, serie C, e na próxima semana pode voltar a ser campeão da terceira divisão nacional.
João Prates- Hugo, como surgiu a possibilidade de vires para Ponte de
Sôr e o que te motivou a vir estando num clube que te oferecia todas as
condições?
Hugo Lopes-
Esta possibilidade surgiu através do vice-presidente e do presidente do eléctrico, eu vim cá treinar e o treinador na altura era o Rui Maside, deu o seu avale à minha contratação. O facto de ser uma experiência fora de casa também foi uma motivação e uma experiência que queria ter, e ao mesmo tempo era uma oportunidade para me dedicar exclusivamente aquilo que mais gosto de fazer que é jogar futebol.Eu saí do Casa Pia numa altura em que o clube estava a viver uma fase de transformação e no aspecto financeiro estava bastante abalado, apesar do sucesso desportivo.João Prates- Como correram as épocas que
fizes-te em Ponte de
Sôr?
Hugo Lopes-
Estive 4 épocas em Ponte de Sôr, como deve de imaginar houve momentos bons e maus como em tudo na vida, como aspecto mais positivo foi o facto de ter feito parte do grupo de trabalho que levou o clube à segunda divisão. Por outro lado o aspecto mais negativo foi a lesão que contraí num jogo contra o Alcobaça no ano em que subimos de divisão.João Prates- Vivendo realidades
distintas, que diferenças encontras-te entre o
Alentejo e o futebol em Lisboa?
Hugo Lopes-
As maiores diferenças que eu notei, foi acima de tudo a nível técnico, o futebol aqui é mais físico enquanto que em Lisboa se dá mais prioridade aos aspectos técnicos e tácticos. No aspecto da formação acho que os jogadores em Lisboa levam mais a serio o futebol, talvez por existirem mais clubes e a competição ser mais forte o que leva o jogador a não facilitar nos aspectos mais básicos, como ir a todos os treinos, não sair antes dos jogos, é óbvio que me estou a referir á generalidade dos jogadores certamente que aqui no Alentejo também há jovens que querem fazer do futebol o seu meio de sustento e que tudo fazem para o conseguir.João Prates- Sofres-te uma lesão grave, foi preciso força de vontade para voltar, alguma vez chegas-te a pensar que a tua carreira poderia terminar? nestas
situações é preciso muita força interior, certo?
Hugo Lopes-
Sim é verdade que no meu segundo ano em Ponte de Sôr me lesionei com muita gravidade, mas nunca me passou pela cabeça desistir até porque na altura era um pouco mais novo e não me imaginava e não imagino a viver sem o futebol. Nos momentos mais difíceis, recorria aos sonhos que alimentava conseguir atingir como jogador, e isso dava-me força para continuar a recuperação por mais doloroso que fosse. Hoje reconheço que esta lesão pôs um travão no meu crescimento como jogador, não porque tivesse algum problema físico, mas porque as pessoas não acreditaram muito na minha recuperação, o que me levou a ter poucas oportunidades para demonstrar que estava a 100%.João Prates- No Crato foi uma
situação estranha, foste aquisição e de um momento para o outro és dispensado, que aconteceu?
Hugo Lopes-
Muito sinceramente nem eu sei o que se passou, sei que tive 3 semanas no Crato, até ao dia em que o Sr. João Vitorino me comunicou a dispensa sob o pretexto de o plantel ser demasiado longo...O que é estranho porque na altura até estavam a chegar mais jogadores ao clube, mas desde já quero agradecer esta atitude ao treinador pois revelou-se muito boa para mim, por estranho que pareça.João Prates- Surgiu depois o
Sertanense que se revelou uma boa aposta, como decorreu a época?
Hugo Lopes-
Esta época correu muito bem, na Sertã recuperei a alegria de jogar futebol algo que tinha vindo a perder nos últimos tempos de Eléctrico, ali voltei a sentir-me útil e comecei a jogar com mais regularidade. Depois encontrei um grupo de trabalho fantástico, e muito unido, o que é sempre bom para quem chega de novo a um clube. A nível de objectivos estes já estão quase todos cumpridos, faltando apenas e a 3 jornadas do fim do campeonato garantir o 1º lugar e assim garantir o titulo de Campeão Nacional da 3ª Divisão Série D.João Prates- Em termos futuros, a
próxima época passa pela continuidade no
Sertanense?
Hugo Lopes-
Pode passar ou não, neste momento ainda não sei como vai ser a próxima época, mas uma coisa é certa vou continuar a jogar quer seja no Sertanense ou noutro clube.João Prates- Como
vês este flagelo dos ordenados em atraso? Sentes que existe falta de respeito pelos jogadores?
Hugo Lopes-
Existe falta de respeito acima de tudo pelo homem, pois é mais do que evidente que os dirigentes têm noção da situação financeira dos seus clubes, e mesmo assim prometem coisas que à partida já sabem que não vão cumprir.Estas pessoas esquecem-se que muitos dos jogadores têm uma família pra sustentar, e tal como outro trabalhador qualquer precisa do seu salário ao final do mês.João Prates- Que pensas que deveria ser feito para estas
situações deixarem de existir?
Hugo Lopes-
Primeiro todos os clubes deviam apresentar declarações financeiras que comprovem verdadeiramente se podem ou não pagar aos seus funcionários,É necessário que os clubes sejam punidos com a descida de divisão. Só assim é que passaríamos a ter um futebol com menos problemas a este nível.Joao Prates- Para terminar que gostarias de dizer aos leitores deste blog?
Hugo Lopes-
Para já que continuem a visitar o blog, pois este tem artigos bastante interessantes. Desejar que todos tenham sucesso na sua vida profissional, quer estejam ligados ao futebol ou não. E por fim mandar um abraço a todos os leitores.