Seja bem vindo ao meu espaço :)




terça-feira, 23 de junho de 2009

É PRECISO SER LICENCIADO PARA SER TREINADOR?

Este é um tema delicado e que surgiu com os êxitos de José Mourinho o que veio ainda mais aumentar a discussão.
Quem reúne maiores capacidades para ser treinador, a prática ou a vida académica?
Como tudo na vida, nada é linear e o êxito quer de um treinador formado por cursos de treinadores e com muitos anos de prática enquanto jogador ou um licenciado pela via académica está resultante de muitos factores, o primeiro dos quais sem dúvida a condição humana, nem todos possuem características para líderes que é na minha opinião o factor mais importante de um treinador!
Depois e numa opinião pessoal, não acredito em grande conhecimento académico sem ter experiência prática, nem acredito em grandes treinadores sem terem conhecimento teórico que suporte o que fazem todos os dias. O intercâmbio entre os dois é que é extremamente importante para se atingir um patamar de qualidade evoluído.
Contudo acredito que anos e anos de prática, imensas vivências que quer queiramos quer não nunca serão capaz de ser transmitidas na via académica, são de vital importância.
Olhando um pouco pelo mundo, vejo que os melhores treinadores do mundo não são licenciados, Guardiola, Capello, Hindink, Scolari, Mancini, entre outros, a questão que deixo é sendo eles licenciados poderiam ainda ser melhores? Se os seus adjuntos todos licenciados fossem eles os treinadores principais as suas equipas continuariam a ganhar? O próprio Mourinho apesar de licenciado teve uma vida cheia de prática no futebol, começou novo a acompanhar o seu pai, esteve com grandes treinadores onde aprendeu muito, não terá sido esta prática mais importante que a via académica? Não terá sido a vida académica um suplemento?
Olhando um pouco para o campeonato português vejo Jesualdo, só agora vê reconhecido o seu valor, Manuel Machado regular, e Carvalhal intermitente, todos licenciados, olhando para o vitória de Setúbal em maus lençóis com um licenciado e salvo por alguém com pouca escolaridade mas com anos de experiência.
Um caso que confirma que um bom teórico não dá um bom treinador é o caso de Jorge Castelo, para muitos o melhor metodologista de treino, que num entanto a nível sénior não tem tido êxito enquanto treinador.
Licenciados ou não, o êxito de cada um dependerá sempre do empenho, do profissionalismo, da dedicação total ao futebol , prática e conhecimento cientifico andarão sempre de mãos dadas.

8 comentários:

Anónimo disse...

http://futebolbeja.blogspot.com/

Blog de informação desportiva onde se pretende analisar e debater tudo o que acontece no futebol no distrito de beja

Zé2 disse...

Caro João Prates,
desde já os meus cumprimentos pelo ecletismo dos temas que aborda no seu blog. Em relação ao eterno tema de debate "Académico vs. Jogador" enquanto melhor indicador para êxito enquanto treinador, concordo que o "vs." não existe. No entanto, queria aqui deixar algumas nuances em relação ao que escreve, porque acredito que este debate pode ser muito frutífero:

1) Nos exemplos que refere como treinadores de sucesso não licenciados, e quando fala de licenciados presumo que seja em Ciências do Desporto, não conheço caso-a-caso os seus exemplos, mas Scolari é, efectivamente, licenciado, tendo inclusivé exercido enquanto professor. Se fizer uma breve busca na Internet, facilmente confirmará o que aqui refiro.

2) Em relação a Mourinho, sintetizo aquilo que considero ser a opinião dele em relação a esta dicotomia "Academia/Experiência Profissional", numa frase dele: "a pessoa que mais influenciou o meu trabalho até hoje foi o Prof. Manuel Sérgio." Decerto saberá que o professor Manuel Sérgio é catedrático da FMH, local onde Mourinho estudou. Embora concorde consigo quando refere o acompanhamento que Mourinho sempre fez ao seu pai e que, desde cedo, se dedicou à análise do jogo, julgo que as palavras do próprio serão as mais marcantes.

3) Em relação ao professor Jorge Castelo, concordo inteiramente consigo: é um metodólogo como poucos em Portugal, com uma capacidade de análise e dissecação do jogo invulgar. Por possuir uma personalidade muito particular (muito volátil e com tendência para o confronto) não singrou, enquanto treinador principal, no futebol sénior, apesar de, enquanto adjunto de Eriksson, estar associado a um período de grandes êxitos do Benfica. Essa personalidade faz com que não só tenha dificuldades na gestão de grupos como também, por exemplo, na área da publicação, onde a sua já extensa obra poderia sê-lo ainda mais, pois produz documentação científica a uma velocidade incrível. Sei da sua personalidade e da sua documentação porque fui seu aluno, na especialização em Futebol, na FMH.

Com os melhores cumprimentos,
José Eduardo Lopes

Joao Prates disse...

Caro José Eduardo, boa noite e obrigado pelo comentário!
Tem razão em relaçao a Scolari, um laspo da minha parte.
Sim, refiro-me a ciências do desporto, este sem duvida que é um tema interessante e como se diz na giria com muito pano para mangas.
Quanto a Mourinho e sem retirar as suas palavras creio que terá sido muito importante a experiencia que acumulou ao longo dos anos em termos praticos que foi complementada com a via académica, na minha opinião uma não pode dissociar-se da outra contudo considero que é a pratica que nos faz crescer, que nos prepara para a realidade e sinto essa diferença entre o que é a escola da vida e a teoria embora mantenha a opinião que ambas são necessárias!
Mas podemos ser muito bons teoricos e quantas vezes não se vê a situaçao de alunos exemplares com notas excelentes e que na pratica nas suas profissões não passam de banais, tal como excelentes jogadores de futebol que não conseguem ser treinadores.
Por tudo isso acho que dependerá sempre da nossa capacidade, do nosso interesse, do nosso profissionalismo, o obter o êxito!
Sou devorador de livros do Jorge Castelo embora nem tudo o que se teorize se possa colocar em prática!
abraço

Carlos Rodrigues disse...

Este é um daqueles temas uteis de se discutir, concordo contigo em muita coisa João e até pelo que já temos falado! Apesar de não saberes porque enquanto treinador não acho que fosse importante dize-lo, tambem sou licenciado em Educaçao fisica, considero que como dizes foi um complemento, e digo sem receios nenhuns que onde aprendi realmente foi na pratica de 35 anos de futebol, quer como jogador quer como treinador, nessa como lhe chamas a escola da vida.
Nos ultimos anos tive adjuntos licenciados e não colocando todos no mesmo saco, os dois que tive foram uma decepção, ser treinador é todos os dias uma aprendizagem, ter uma personalidade propria e o que tive e assisti foi a dois jovens imitarem o Mourinho, ou a querer, quem imita e não é ele proprio nunca terá hipoteses de triunfar, com o exito de Mourinho existiu uma grande aposta em treinadores licenciados mas depressa de desvaneceu essa aposta, faltaram resultados.
Considero que a ciencia tem que estar ao serviço do desporto, hoje é importante o fisiologista, o preparador fisico, nutricionista, mas ser treinador...considero que é algo diferente, eu formei-me para dar aulas, fui para treinador por paixão e a licenciatura foi um complemento, é bom que os jovens que se formam anualmente tenham essa consciencia que cada vez mais o ensino e a formaçao será o caminho, o topo será muito dificil lá chegar.
abraço

Caçador Furtivo disse...

Tenho tentado resistir à tentação de me meter na conversa de quem sabe sobre futebol, mas acabei por me ir abaixo.
Começo por dizer que os meus conhecimentos tácticos, se situam ao nível da mesa do café,(e às vezes do balcão)o que ao contrario do que parece, dá uma trabalheira do camandro, tal é a divergência de opiniões.
Mas o que eu queria saber, é se há de facto formação especifica para treinadores de futebol. Não uma formação abrangente em termos de desporto, mas uma formação direccionada para o ensino cientifico da modalidade, e quem são os catedráticos com conhecimentos para formar treinadores de futebol.
É que eu tenho algumas dúvidas se se pode aprender a ser treinador de futebol, na Universidade. Claro que se pode lá ir buscar bases importantíssimas, mas o resto, o que conta de facto, a essência, acho que está na alma de cada um,
Qualquer um, desde que tenha dinheiro e tempo, tira um curso de medicina, mas treinador de futebol parece-me que depende muito de uma vocação pessoal, que provavelmente já nasce com cada um.
Naturalmente que estou a falar de treinadores de facto, e não de curiosos que até se ajeitam.

Saudações desportivas.

Joao Prates disse...

Boas caçador furtivo!
Em resposta a sua pergunta a licenciatura em Treino Desportivo forma técnicos desportivos especializados, que conheçam o fenómeno desportivo e a sua organização social, que dominem os princípios da metodologia do treino desportivo, de forma a poderem intervir na formação e rentabilização de atletas e praticantes especializados onde existe diversas modalidades como Futebol,Basquetebol,Andebol,Voleibol,Atletismo, Natação, Ginástica,Judo e outras modalidades.
Como disse considero que não se aprende a ser treinador na universidade, adquire-se conhecimentos que são importantes.
quantos ao catedráticos conhecidos que dão aulas destaco Jorge Castelo e Manuel Sérgio.

Jogador de 2 B disse...

Para se ser treinador de futebol não é necessario ser licenciado, aceito que se adquire mais conhecimentos, mas ser treinador é ser lider, ter capacidades que não se aprendem na universidade!
Com Mourinho apareceu a oportunidade de ouro ao licenciados em deporto e apareceram em bicos nos pes que teria que ser a aposta no futuro mas rapidamnete esse balao se esvaziou!
o que todos se esquecem é que iam tirar a licenciatura em desporto para serem professores mas viram ali uma opurtunidade para serem treinadores!
Discordo que tenham que ter equivelencias aos cursos de treinador.
Enquanto jogador fui treinado por licenciados e por treinadores e prefiro os treinadores, o que vem nos livros nem sempre é correcto na pratica!
abraço

Caçador Furtivo disse...

Caro João!
Para ser sincero, e com toda a humildade, devo dizer-lhe que eu já tinha a noção da abrangência que o estudo da temática desportiva pode atingir, e da sua aplicação prática na vida dos clubes e dos atletas, que é no fundo o que acaba de me transmitir. Não tenho também dúvidas que um técnico com essa preparação, está mais abalizado para aumentar o rendimento físico, psicológico e até social, de um atleta.
A minha dúvida era, e continua a ser, é se na hora de montar uma estratégia para defrontar uma equipa, que eventualmente até terá um treinador com formação, o treinador vai usar os conhecimentos adquiridos na universidade, para preparar um 4x3x3, um 4x4x2 outro sistema, incluindo as nuances que obrigam a alterações estratégicas durante o jogo.
Hoje, os grandes clubes têm preparadores físicos, Psicólogos, terapeutas, gestores, directores desportivos e mais uma catrefada de coisas. Não será que o trabalho do treinador está um pouco esgotado, no que aprendeu na sua formação académica, restando-lhe cada vez mais o trabalho da preparação do jogo jogado no campo?.
Amigo João, provavelmente as minhas duvidas resultam dos meus poucos conhecimentos, mas sou dos que acham que a ciência pode ser usada no futebol, mas o futebol nunca será uma ciência.
No dia que isso acontecesse, os estádios ficariam vazios, e o futebol seria jogado em laboratórios.
O futebol é paixão, emoção, amor e coração.O futebol é povo, é vida, e nunca uma equação matemática. É por isso que eu acredito que o treinador que se fez a si próprio, através da sua paixão pela modalidade, e dos ensinamentos que soube receber de outros, não fica nada a dever aos que tiveram formação mais ou menos cientifica.
Claro que isto é apenas a minha visão do futebol.

Saudações desportivas.